O que é o Fashion Revolution e o que ele tem a nos dizer sobre consumo consciente

17/03/2018

Acredito que se você gosta de moda e segue conteúdo do nicho nas suas redes sociais já leu ou ouviu falar sobre o movimento Fashion Revolution. Mas você pode não saber muito bem o que ele representa, mas acredito muito que ao saber você queira fazer parte. O movimento foi criado por um conselho de líderes da indústria da moda sustentável do mundo todo que se reuniram depois do desabamento do edifício Rana Plaza em Bangladesh, em 23/04/2013, onde funcionava uma fábrica de tecidos em condições deploráveis de trabalho e segurança (e tinha a Primark como um de seus maiores clientes) e que resultou em 1.133 mortos e 2.500 feridos. O início do movimento foi o Fashion Revolution Day, um dia para chamar atenção para a cadeia produtiva da moda com a campanha para conscientização sobre o real custo da indústria e seus impactos sociais e ambientes, mostrando ao mundo que a mudança é possível através do comprometimento das grandes marcas em criar um futuro mais sustentável e com mais transparência.

A moda é uma indústria poderosíssima e forte e que pode mudar seu rumo negativo para o bem. Atualmente, espalhado pelo mundo todo, o movimento (além de celebrar o Fashion Revolution Day), abre espaço para projetos dentro da área que tragam novas ideias e ações para as práticas conscientes na indústria, realiza fóruns de debate e conscientização com apresentações dessas novas ideias e projetos, tem canal para contato tanto com os consumidores que queiram auxílio ou tirar dúvidas e também à novos adeptos, sejam eles uma marca, uma confecção, uma empresa ou qualquer tipo de negócio e queira se envolver e fazer parte.

 

E de nós consumidores? O movimento quer que questionemos "Quem fez minhas roupas?", incentivando as pessoas a refletirem mais sobre toda a cadeia produtiva de uma peça, desde as matérias primas até a confecção, de quem colheu o algodão à quem pregou o botão. Se questionarmos mais e passarmos a consumir apenas de marcas em que a produção é comprovadamente de acordo com as normas de segurança, condições de trabalho e ainda melhor, se houverem insumos e práticas sustentáveis na produção, incentivaremos a mudança real na indústria. Nós consumidores temos o maior poder em nossas mãos: se causarmos queda nas vendas e nos manifestarmos pedindo transparência e condições conscientes e sustentáveis na moda poderemos ter essas mudanças. 

Parece muito utópico e muito difícil de consumir menos e o necessário e só o que sabemos a procedência né? Pra te ajudar, aqui vão algumas ações fáceis para um consumo consciente:

 

- PRECISO MESMO DESSA PEÇA?

 

A necessidade é a primeira coisa que você deve questionar com sinceridade. Mentir para você mesmo sobre isso não vai fazer com que a conscientização aconteça. Olhe todo o conteúdo do seu armário antes de qualquer compra para se certificar que você realmente não tenha nada parecido ou que possa ser usado ao invés de comprar uma nova peça. Nem tudo que entra com tendência de moda precisa ser comprado. E se for comprar mesmo, pense se realmente é usável por anos, se realmente te representa, se combina e harmoniza com muitas peças que você já tem, rendendo looks suficientes proporcionalmente ao custo dela. 

 

- POSSO ALUGAR?

 

O aluguel é uma ótima opção ao consumo, para que você utilize uma peça que já existe, aumentando o ciclo útil dela e não acumule mais peças no seu armário também, diminuindo a quantidade de compras. Ah, mas aí você vai me dizer: "só existe aluguel de roupa de festa". Ainda não temos muitos exemplos de aluguel de roupa casual, mas já existe sim! A Alugue Casual permite aluguel de peças casuais e de festa, e a Muda de Roupa permite aluguel de roupas casuais através de uma assinatura mensal. Você assina e recebe todo mês 5 peças selecionadas de acordo com seu gosto e estilo. Ou seja, se você procurar pode ter uma opção pertinho de você!

 

- POSSO PEGAR EMPRESTADO?

 

Você quer comprar uma roupa pra uma balada, um date, uma ocasião mais especial pra você e queria algo diferente e novo, mas já pensou em pegar emprestado? Amigas, mãe, irmã, alguém pode ter algo que se encaixe exatamente no que você quer e você não gasta nada com isso e ainda evita o consumo de mais uma peça desnecessária. 

 

- POSSO COMPRAR DE SEGUNDA MÃO?

 

O reuso de peças é uma das principais vertentes do consumo consciente, onde você compra uma peça usada em boas condições, algo de qualidade e que irá durar muito tempo a mais com você, fazendo com que o ciclo útil da peça ser totalmente aproveitado, evita o desperdício e mais uma vez, você evita o consumo de uma peça nova. Os brechós e bazares de desapego estão cada vez mais em alta e tem opções das roupas mais simples e acessíveis até as de luxo. Quer saber mais sobre comprar em brechós? Aqui tem um post especial com 7 vantagens e dica de vários brechós incríveis online, incluindo o Pra Sempre Vintage, o brechó do blog!

 

- A EMPRESA QUE VENDE TEM ÉTICA NA PRODUÇÃO E NAS CONDIÇÕES DE TRABALHO?

 

Se você decidir por comprar algo novo, pesquise se a empresa fornece informações da sua produção e das condições de trabalho de que faz, se ela é transparente, se ela fiscaliza seus terceirizados e garante que sua cadeia produtiva não tem trabalho escravo e nem em condições precárias. Mas como eu vou fazer isso? Dá um google, entra no site da empresa, pesquisa no app Moda Livre. Esse app é uma ótima ferramenta pra ter no celular, porque ele tem várias marcas brasileiras cadastradas e mostra a classificação delas quanto à serem livres ou não de trabalho escavo, além de trazer informações e notícias e um relatório preenchido pela empresa classificando todas as suas condições de trabalho. Mas se ainda assim lá não tiver nada e você não encontre informações e não tenha como questionar diretamente a empresa, procure outra! Atualmente temos infinitas opções de marcas pra comprar, principalmente online. Busque pequenas marcas locais, estilistas, pequenos empreendedores, gente que faça e comprove que faz e como faz suas peças e que pregue a moda consciente também.

Alguns exemplos de marcas praticantes do slow fashion que produzem suas peças: a 787 shirts, a HEPV Clothing, a Inaá Brand, a Inversa Inversa, a Honey Pie, a Manala e a Amuse Clothing.

 

- A EMPRESA QUE VENDE PREGA A SUSTENTABILIDADE E TOMA AÇÕES PARA ISSO?

 

A sustentabilidade é outro fator importantíssimo a se levar em consideração. A moda é uma das indústrias poluidoras e destruidoras do meio ambiente, mas ainda bem que a pauta da sustentabilidade está sendo cada dia mais levantada e muitas já estão fazendo a sua parte, mesmo que em pequenos passos, reciclando a água da produção e oferecendo produtos com algodão orgânico e outros materiais ecológicos na composição. Se você acha isso impossível de encontrar considerando um custo acessível, não se engane: já temos algumas opções, até se tratando de fast fashions como a C&A, que é certificada pelo Moda Livre e pelo Repórter Brasil como 100% livre de trabalho escravo e com transparência divulgando todos os fornecedores que produzem suas peças, e que além de tudo isso já recicla a água da sua produção, utiliza algodão orgânico na produção das peças e tem várias nas coleções com a opção sustentável, que garante os materiais sustentáveis utilizados na confecção. Mas muitas empresas só trabalham com materiais ecológicos e/ou veganos e que defendem à causa, como a Ada, a Armário Orgânico, a Nicole Bustamante, a Gioconda e a Cofi Wear (e centenas de outras que você encontra na internet ou até mesmo onde mora!).

 

- COMPRE PEÇAS DE QUALIDADE

 

Optando por peças de qualidade você garante que irá consumir menos ao longo dos anos, já que as suas peças vão durar muito mais e não serão lixo na próxima estação. Sendo assim, essa opção pode não ser a mais barata de imediato, mas terá o melhor custo benefício: você compra agora uma peça 30% mais cara do que a da fast fashion duvidosa (por exemplo) mas terá a compensação do valor que está gastando a mais já que ela vai durar muito mais tempo em perfeitas condições de uso! A blusinha de R$ 20,00 pode ser aquele barato que sai caro, já que a maioria delas em poucas lavagens se estraga, fazendo seu dinheiro não valer e o planeta ter mais um punhado de tecido acumulando nos lixões. 

 

- FAÇA METAS DE REDUÇÃO E MELHORA DE FORMA DE CONSUMO

 

Determine-se a comprar menos e principalmente, a não comprar mais em determinados lugares. Sabe aquela fast fashion que você ama mas sabe que não tem ética na produção, que usa trabalho infantil, escravo, que importa sonegando impostos? Se comprometa à não comprar mais lá! É difícil? Eu sei, é sim, mas não tanto quanto parece. Atualmente a gente tem muito mais opção de compra do que imaginamos, é só sair da zona de conforto, pesquisar, conhecer outras marcas e se apaixonar! Eu te garanto: é a melhor coisa que você vai fazer. Comecei esse ano e já me sinto muito mais leve de saber que eu estou fazendo a minha parte, mesmo que em pequenas ações.

 

E aí, prontos pra começar a sua revolução?

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