Marca consciente da vez: Ohana

Com o propósito de moda consciente cada vez mais forte aqui no blog e na minha vida mesmo sinto mais ainda a importância de não só propagar esse conceito e estilo de vida pra vocês mas ajudar realmente dando exemplos de marcas reais e acessíveis/possíveis pra maioria de nós pra incentivar ainda mais o consumo consciente. De nada adianta pregar a forma correta se na prática quem lê o blog não sabe onde achar uma roupa ou acessório que se enquadre nesse conceito.

Falando de acessórios, eles são a maior barreira pra mim no consumo consciente, já que é muito mais difícil achar uma bolsa, um brinco ou colar que estejam enquadrados do que uma roupa, por exemplo. No Fashion Revolution tive a oportunidade de conhecer algumas marcas, dentre elas a Ohana, que pra minha surpresa é de Balneário mesmo e faz bolsas, carteiras, cintos e necessaires veganos e com produção consciente e sustentável, com certificação pelo PETA. Me encantei na hora com o conceito e com a marca, e olha que eu só tinha visto dois modelos pessoalmente. E ao conhecer e conversar melhor com as donas da marca, virei fã imediatamente!

A Ohana nasceu de uma forma totalmente natural e despretensiosa há apenas 3 anos. A Thalia é fotógrafa e costumava entregar as fotos pros seus clientes em bolsas personalizadas, que eram tão lindas que os clientes começaram a pedir onde poderiam adquirir mais delas. Ela e sua irmã Letícia, que é designer de moda, sonhavam em abrir uma marca de biquínis, então a ideia de fazer bolsas foi inusitada e desafiadora pra elas, que também contam desde o começo com a ajuda de um terceiro sócio, o Leonardo, que é arquiteto e marido da Thalia. Junto com a marca, ela estava em processo de se tornar vegana. Já a Letícia teve contato com a moda consciente e sustentável desde a faculdade e se interessou sempre pelo assunto e junto com o vegetarianismo da Thalia esse conceito se tornou essencial para ambas na vida pessoal e na marca também, o que tornava o uso de couro legítimo na marca algo totalmente fora da realidade delas e de seus princípios pessoais. A ideia com a marca minimalista foi de ser clássica e atemporal e sendo um produto vegano, o que na época não existia no Brasil - as marcas veganas eram muito ligadas ao estilo boho, que não é o estilo pessoal das irmãs. Criar algo que elas mesmas queriam usar foi o ponto de partida dessa jornada!


"É uma coisa natural nossa de ter já essa consciência. Desde a infância, de passar a roupa da mais velha pra mais nova, da mãe pra filha, enfim… É uma coisa muito nossa, que veio naturalmente. Não tem como separar o veganismo da sustentabilidade e o que a gente tenta fazer é o mais sustentável e justo possível. Não tem como uma fast fashion que produz na China ser vegana, por exemplo. Não faz sentido, as contas não batem."


Thalia e eu na primeira foto e a Letícia no escritório da Ohana <3


Como a moda consciente e a sustentabilidade estão presentes na marca? A produção é em pequena escala, dentro do slow fashion. As peças são criadas pela Letícia e juntas elas decidem todos os detalhes até o produto estar pronto pra ter a produção iniciada. A confecção das peças é feita em uma fábrica familiar do litoral norte catarinense, que tem poucos funcionários e a mão de obra paga é justa, maior que o valor de mercado e elas acompanham todo o processo de produção. Os fornecedores de tecidos, metais e até da cola usada na confecção das bolsas são todos locais ou regionais. O fornecedor dos tecidos, por exemplo, tem produção sustentável e certificação de "Selo Prata" de origem sustentável e foi certificado pelo "Projeto Empresa Amiga do Meio Ambiente". Já os fornecedores dos metais usados nas bolsas e cintos fazem parte do programa de recuperação de vegetação nativa - possuem uma reserva de carbono com uma vasta área de preservação ambiental - e trabalham com processos orgânicos no processo produtivo, tornando os resíduos reutilizáveis, além de fazem o aproveitamento de toda a água utilizada. Outro detalhe super importante é que elas não trabalham com estoque de material: o que sobra de restos de tecidos eventualmente é usado para confecção de cintos e outros acessórios, resultando em um aproveitamento quase total dos tecidos.


"A gente vem de uma família de costureiras: mãe, vó, tia, e eu (Letícia) costuro também. A gente sempre gostou dessa coisa de você fazer suas próprias roupas, de você customizar, e a gente queria poder acompanhar de perto o que a gente estivesse produzindo e saber a origem do que estamos fazendo e ter esse propósito. Não queríamos ter um produto apenas para comercializar, a gente queria ter um significado por trás dele. Por isso sempre foi muito importante pra gente ter a produção local, tudo mais perto que a gente pudesse, desde o tecido, até a montagem e o produto final."



Uma marca como essa encontra muitos desafios com esse tipo de produção: a maior dificuldade é fazer o público entender o porque do custo dos produtos e porque eles se tornam mais caros do que uma bolsa de fast fashion, por exemplo. Não tem como produzir por menos e manter a qualidade e os princípios da marca: produção local, consciente, mais sustentável, com mão de obra justa, produto de qualidade e pequena escala de produção. São muitos custos que estão por trás que o público nem sempre entende. A Ohana não trabalha com estoque de muitas peças porque o objetivo é que o produto esteja com o cliente em uso.

Pra mim, que vi de pertinho a qualidade, o amor e o capricho depositados em cada peça as torna únicas e com preço abaixo do devido pelo grande valor intangível agregado nelas. Sabe aquele produto que você se identifica de cara por todo o contexto e sente que ele é mais do que um simples produto? Amo o poder que marcas conscientes/sustentáveis têm de despertar isso em mim, e a Ohana foi uma delas!


Pra finalizar o nosso bate papo, conversamos sobre o futuro da moda sustentável e consciente no mundo! O movimento slow fashion está crescendo cada vez mais nos últimos anos e aos poucos as pessoas estão questionando quem fez suas roupas e repensando seus hábitos de consumo. Dos anos 90 pra cá tivemos muito a cultura de comprar, comprar, comprar, sempre pensando no mais barato e em maior quantidade. Atualmente estamos voltando à origem de comprar o que a gente realmente ama, com consciência, comprar da lojinha local e não das grandes redes, essas já estão enfrentando crises nas vendas por isso. As pessoas estão começando a perceber que pra um vestido custar tão barato tem algo errado. Umas mais do que outras, mas em geral estamos criando esse novo mindset e isso é algo que vai crescer muito ainda e que se Deus quiser todo mundo vai se tornar muito mais consciente. Vamos começar a cobrar até que as grandes redes mudem e parem de pensar tanto só no custo baixo e pensem mais em agradar o seu cliente com produtos justos.

Minhas escolhas: as peças que eu mais amei!


Bolsa Huna e cinto ônix - minhas peças preferidas!

Pochete prata - a mais estilosa e que ainda dá pra remover do cinto, sendo um 2 em 1 pros looks!

Bolsa Mahina - um clássico com essa cor linda e super versátil!

Essa é a Malie, a bolsa que eu achei perfeita pro dia a dia.

E pra fechar, deixo aqui um dos objetivos e propósitos que a marca tem que eu achei demais: "que todos se identifiquem com a marca não só pelo veganismo mas pelo estilo das bolsas, pelo design, pelo produto em si e o fato de ser vegano ser um algo a mais. Que isso depois possa incentivar quem não é ou não consome produtos veganos a ver a qualidade e o diferencial do nosso produto e se identificar com o propósito".


E aí, gostaram conhecer e de saber mais sobre a marca? Se quiser indicar alguma marca pra aparecer na tag, mande inbox pra mim no instagram do blog!


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