Dia da Sobrecarga da Terra - o que é e o que a moda tem a ver com isso?

 

De janeiro até agora já esgotamos todos os recursos naturais para o ano de 2018. Tudo que a natureza é capaz de nos oferecer (água, solo fértil, animais e árvores) já foi consumido. E pra piorar, já produzimos mais dióxido de carbono do que as florestas podem absorver.

 

Essa sobrecarga vem acontecendo desde 1970, mas piora a cada ano. Atualmente precisaríamos de mais do que 1,7 Terras para suprir nossas necessidades ecológicas. É como se precisássemos de 1,7 Terras para sobrevivermos. No Brasil, a sobrecarga chegou ainda mais cedo. Considerando nosso nível de consumo dos recursos naturais em todo o planeta, os recursos teriam acabado em 19/07 e precisaríamos de 1,8 Terras.

 

 

Mudanças climáticas mais secas e fortes, incêndios florestais e furacões são algumas das consequências da sobrecarga. Isso significa que se não mudarmos URGENTEMENTE nossa conduta como seres humanos neste planeta é provável que não tenhamos mais os recursos necessários para sobreviver daqui a algum tempo. De acordo com CEO da Global Footprint Network, Mathis Wackernagel: "O Dia da Sobrecarga da Terra pode não apresentar diferenças em relação a ontem – você ainda tem a mesma comida em sua geladeira. Mas, os incêndios estão ocorrendo no oeste dos Estados Unidos. Do outro lado do mundo, os moradores da Cidade do Cabo tiveram que reduzir pela metade o consumo de água desde 2015. Essas são consequências de estourar o orçamento ecológico do nosso único planeta. Nossas economias estão realizando um esquema Ponzi com o planeta. Ou seja, usamos os recursos futuros da Terra para operar no presente e nos aprofundar na dívida ecológica. É hora de acabar com esse esquema e alavancar nossa criatividade para criar um futuro próspero, livre de combustíveis fósseis e sem destruição planetária".

 

 

 

E o que a moda tem a ver com isso? TUDO! Estima-se que a moda é a quinta indústria mais poluente do mundo. De acordo com a BBC, a fibra sintética mais usada na indústria têxtil gasta 70 milhões de barris de petróleo para ser produzido e demora cerca de 200 anos para se decompor. A viscose, outro tipo de tecido feito da celulose, provoca a derrubada de 70 milhões de árvores anualmente. Para produção de uma calça jeans, por exemplo, são gastos 11 mil litros de água.

 

Nas minhas pesquisas pra fazer esse post achei um artigo ótimo que fala sobre como a indústria da moda tem o poder de reverter esse quadro de poluição do meio ambiente e salvar o planeta. No artigo, o autor analisa as indústrias mais poluentes: elétrica, agricultura, transporte rodoviário, petróleo e gás e pecuária e faz uma correlação com a moda, que é uma indústria que envolve todas as citadas. Precisamos da energia elétrica para o maquinário, da agricultura para a produção dos tecidos, transporte rodoviário para a distribuição, o poliéster (por exemplo) é feito de plástico derivado do petróleo e o couro é um derivado do gado da pecuária. Ou seja, a indústria da moda é uma das mais poluentes e mais poderosas. Se os processos de produção e abastecimento na moda forem corrigidos, reduzidos e melhorados, podemos reduzir a emissão de gás carbônico não só da indústria da moda, mas sim de todas as outras mais poluentes também.

 

 

 

E como fazer algo para contribuir com isso, sendo apenas consumidor? A maioria das pessoas não faz ideia do poder de consumo e nem da responsabilidade social, econômica e ambiental que temos ao adquirir uma peça de roupa. Como consumidores podemos reivindicar o que está errado, cobrarmos das marcas que compramos a procedência do tecido e da fabricação das peças e principalmente mudarmos nosso estilo de consumo para um mais consciente, comprando menos e melhor. Pensar na real necessidade no momento da compra ajuda muito, mas a diferença mesmo está em comprar de quem você sabe que fez a peça, que use tecidos sustentáveis/ecológicos, que tenha confiabilidade na procedência, e até mesmo comprar peças usadas ou feitas de material reciclado. Já temos muita roupa no mundo sem uso, e comprar dessa forma ajuda a que essas peças voltem à ter vida útil e reduzimos nosso consumo de peças novas também.

 

Pra encerrar, deixo a reflexão: todos somos os responsáveis pelo atual cenário de consumo desenfreado e por não nos atentarmos aos processos de produção do que vestimos, do que são feitas nossas roupas e o que acontece com o que é produzido e não vende. Quantas vezes você parou pra pensar em alguma dessas questões quando consumiu uma roupa?

Se quiser saber mais sobre moda consciente, tem vários posts no blog com a tag!

 

 

 

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