Moda consciente - talk show com André Carvalhal no ONDM

Se você lê bastante sobre moda, já deve ter ouvido falar o nome dele. André Carvalhal é formado em publicidade e passou anos à frente do Marketing da FARM, a marca carioca das mais hypadas. Mas dado um certo momento ele se viu questionando tudo: o mundo da moda, os impactos que ela causa no meio ambiente, e com isso, quase largou a carreira e iria trabalhar apenas escrevendo (ele já tem três livros publicados sobre moda consciente e sustentável e um deles que inclusive já contei no blog, foi um divisor de águas na minha vida!).

 

Em uma conversa com o Rony Meisler (fundador da Reserva) surgiu a ideia de criar uma marca sustentável dentro do grupo Reserva, e assim a Ahlma foi criada (mas falaremos mais dela adiante). E assim ele vem sendo revolucionário na moda sustentável no Brasil. Quando anunciaram que ele estaria num talk show no ONDM com o Rony, não tive dúvidas que estaria lá assistindo, porque ele realmente é um ídolo pra mim! E pra que vocês entendam o porque e conheçam mais sobre moda consciente e sustentável, quis trazer pra cá um pouco sobre o conteúdo que ele deu no talk.

Do livro Moda com Propósito, do André Carvalhal - o que mudou minha vida! 

 

Vamos começar falando sobre moda consciente: você já deve ter ouvido falar no termo porque está lendo meu blog, e aqui esse é o principal propósito. Mas você já parou pra pensar que há alguns anos atrás não se falava sobre isso? O mundo realmente está mudando, e felizmente! Hoje as pessoas estão se conscientizando e sabendo mais sobre isso e mudando seus hábitos de consumo. E as empresas - incluindo as que produzem moda, também estão mudando seus hábitos.

 

André fez uma ótima conexão entre as empresas e o planeta: o sucesso de uma empresa depende do sucesso do planeta. Tudo que uma empresa faz depende de algum recurso ou matéria prima da natureza. Fazemos isso com pessoas e para pessoas. Se o planeta está doente ou se as pessoas estão doentes, não temos recursos e insumos para o trabalho. Então essa consciência vai muito além de cuidar da natureza: tudo está conectado - as empresas, o planeta e as pessoas. Ninguém nem nada vive sem o outro.

Você já parou pra pensar nisso?

 

Estamos entre mundos: estamos abandonando um mundo com pouquíssima consciência sobre todo esse cenário e entrando num novo mundo onde entendemos que essa consciência é fundamental, não só para os nossos negócios e sim para a nossa sobrevivência.

Um sonho realizado: conhecendo o André, com direito à livro autografado, rápida conversa e um stories pro blog! 

 

André também falou muito sobre propósito

 

Não estamos aqui nesse mundo à toa: todos nós temos um propósito. Na natureza, as coisas acontecem sozinhas, com um desempenho divino. Não pedimos para a chuva cair, nem para o sol nascer, tudo acontece de forma natural. Nós fazemos parte da natureza, então também temos um papel e uma função para contribuir para o planeta. Mas, diferente das árvores e das plantas, por exemplo, somos seres conscientes, mas às vezes, não temos essa consciência ainda.

Nascemos com um propósito, mas vamos vivendo e nos contaminando, nos perdendo, e às vezes quem deveria ser político acaba sendo ator, quem deveria ser um advogado acaba sentando na cadeira de um professor, e assim por diante. Às vezes por uma restrição financeira, familiar ou outra, uma pessoa que gostaria de estar no meio da moda, por exemplo, está trabalhando com algo completamente diferente e acaba resultando na bagunça em que vivemos hoje. Nem todos exercem o seu real propósito no mundo, alguns ainda nem o descobriram.

Essa fala dele me fez pensar muito… você já pensou no seu real propósito nesse planeta?

 

Assim como nós, as empresas também têm um papel e um propósito na sociedade e no mundo. Empresas como a Reserva, que além de faturarem e lucrarem, contribuem para o mundo funcionar de alguma maneira, como com a doação dos 5 pratos que comida para quem tem fome no Brasil a cada peça de roupa vendida. Quanto mais ela vende, mais ela entrega esse propósito pro mundo, e por consequência é ainda mais próspera.

Eu e o Roni da Reserva - um cara super inteligente que passei a admirar!

 

Sobre o capitalismo consciente, o Rony explicou no talk: é um movimento que nasceu nos Estados Unidos, por John Mackey, um dos fundadores da rede de supermercados Whole Foods. O movimento explica como empresas grandes como essa tem melhores negócios por se preocuparem com o impacto sócio-ambiental que deixam. O Estado tem maior responsabilidade sobre a sociedade por arrecadar para isso, mas não faz com que ele seja o único responsável. As empresas também têm uma parcela de responsabilidade social e ambiental, e quando elas têm essa preocupação e toma iniciativas para isso, é um ganha ganha em os lados: todo mundo ganha. A sociedade, o Estado, que pode se preocupar menos em investir já que a sociedade privada está investindo e a própria empresa. A lucro é importante sim, é essencial ter um financeiro saudável e próspero. Mas o lucro não pode ser o fim, a única coisa que buscamos, o objetivo final. Temos que ser "oportunistas do bem" = visar o lucro e ao mesmo tempo, proporcionalmente retornar algo para o mundo, com consistência: o ano todo, todos os dias. Você faz por ser um propósito e uma verdade sua, e por consequência vende mais.

 

E o André também contou sobre toda a história da Ahlma, e explicou que logicamente ele se preocupa com as vendas e o lucro, porque são essenciais para manter o seu negócio.  Como ele disse: "quanto mais eu vender, quanto mais ela crescer, mais pessoas vão ter acesso à um tipo de produto que está gerando o menor impacto ambiental possível." Ou seja, a venda está atrelada à sua causa, sempre.

Foto da coleção Gradiente, da Alma - que eu tô apaixonada! 

 

Por falar em causa e propósito, o da Ahlma é: "Co criar a nova era da moda no mundo". A colaboração está no propósito da marca, e é mais que uma tendência atual: é uma necessidade.

Com a criação da Ahlma, o André teve um grande desafio. Não era só construir uma marca, era necessário construir um mercado e um público através educação, da informação e da conscientização. Era preciso fazer as pessoas entenderem o valor de comprar na Ahlma, de comprar peças com matéria prima livre de origem animal, feitas com tecidos recuperados, reciclados ou certificados.

Com isso, o posicionamento como marca foi mudando muito, a forma como marca se expressava para passar isso para o público. Atualmente as pessoas já procuram a marca justamente por seu propósito, o que é incrível.

 

Uma coisa que achei sensacional, que o André comentou no talk, foi que no site da marca dá pra baixar o relatório que mostra toda a venda do ano e como cada produto ajudou a reduzir o impacto ambiental. É muito legal e bem dinâmico! Vale à pena ver para que você tenha noção do quanto cada produto impacta o meio ambiente e como eles diminuem o impacto com a produção e o que isso representa de verdade.

 

No fim do talk, tanto o André quanto o Rony deixaram uma mensagem pro pessoal:

 

André:

Não vamos solucionar os problemas que estamos vivendo hoje com a cabeça que criamos eles. Precisamos de um novo mindset!  Hoje é uma página em branco. Estamos vivendo modelos falidos: desde a divisão de coleções de moda até o modelo de eventos de moda, o consumo da forma que conhecíamos. Tudo está se transformando, e não sabemos bem para onde tudo isso vai. Mas uma certeza é: não continuar fazendo o que estávamos fazendo antes.

Sejam livres, se abram a novas possibilidades, para novos caminhos, se libertem de modelos antigos e ultrapassados que sabemos o quanto não funcionam mais.

 

Rony:

Tenha curiosidade: estudar, pesquisar, ler! Tenha referências: ninguém inventa nada do zero. Tudo surge à partir de algo que já existia. Por exemplo, o cara que inventou a lancha é um gênio, mas ele não inventou nem o motor e nem o barco, ele juntou as duas coisas. Quanto mais referências nós temos, quanto mais livros lemos e pesquisamos, temos mais ideias e podemos criar mais. Para você começar a fazer o que você gosta, você precisa ter fé e credo - acreditar sempre! E muita coragem pra fazer acontecer.

 

Espero que o conteúdo do talk que consegui transcrever pro post tenha ajudado e motivado vocês de alguma maneira: seja para consumir de forma mais consciente, para levar isso para a sua empresa, ou um novo insight.

 

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